O CAMINHO QUE VERA BASSOI TRILHOU PARA CHEGAR NA TÉCNICA DOS BONECOS QUE SE MOVEM NAS CONSTELAÇÕES

16. 10. 17
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(autoria de Andrea Kanashiro Cussiol, 16/10/16)

Partindo dos insights de Jakob e Sieglinde Schneider, de que era possível utilizar bonecos para se trabalhar com as constelações individuais, Vera intuiu que, o que acontece com os representantes durante uma constelação, através da ressonância mórfica e dos aportes da física quântica, era possível também acontecer com os bonecos. Eles não falam, mas se movimentam de tal forma que nos mostram aquilo que está oculto e que tem que ser visto numa constelação. Tendo observado que, de fato, os bonecos se movimentavam no campo e pareciam adquirir vida própria, através da energia do cliente e do facilitador, Vera empreendeu uma pesquisa de campo, oferecendo seus ensinamentos para estudantes de constelação e, com isso, foi aperfeiçoando suas compreensões e aprendendo a lidar com a linguagem silenciosa dos bonecos. Eles não só se movimentam, mas também escolhem outros representantes para entrarem no campo, nos dizem se houve assassinato ou suicídio no sistema familiar, se há depressão ou outros sintomas, e assim por diante. Não adianta o facilitador querer que algo aconteça deste ou daquele jeito, pois vai acontecer do jeito mais inesperado possível. E o boneco não vai para onde a pessoa quer, pois ele dá a impressão de haver adquirido vontade própria. É enorme o campo das possibilidades que se abre com essa técnica que nada tem de sobrenatural. Enfim, a conclusão de seus estudos é que os bonecos são representantes muito mais fiéis do que as pessoas, pois eles não têm ego e não há o perigo de se projetarem no personagem.


Quem mais irá sentir os efeitos dessa técnica revolucionária serão os consteladores mais antigos, aqueles que já estão apegados ao modelo padrão introduzido há alguns anos, o qual tem sido ensinado até então. Esta é um técnica que só será bem aplicada por consteladores já com prática no atendimento individual, mesmo que seja com o uso de outros materiais , e mesmo assim, terão que desaprender algumas atitudes para, realmente, deixarem-se conduzir pelo campo. Aqui se aplica o verdadeiro método fenomenológico que Bert Hellinger sempre fez uso. No novo modelo, o facilitador não conduz, mas ele é conduzido pela força do sistema do cliente, por isso mesmo, foi denominado “O Movimento do Espírito através dos bonecos”.


Vera Bassoi, brasileira, nascida em 1945, formou-se em Sociologia, Ciências, Matemática, Psicologia Transpessoal, Psicanálise e Pós-Graduação em Psicossomática, antes de entrar para o estudo das Constelações Familiares e Organizacionais. Há 11 anos é facilitadora de constelações familiares e professora em cursos de formação de consteladores. Foi professora universitária durante muitos anos, ensinando Métodos e Técnicas de Pesquisa Científica. Atualmente é professora em cursos de extensão universitária e pós-graduação em Constelações Sistêmicas e em cursos livres. Também é pesquisadora, palestrante e promotora de eventos.


Com esse background, empreendeu a sua própria pesquisa dentro do campo das constelações e acabou descobrindo uma técnica revolucionária para o trabalho com os bonecos, nas constelações individuais, no atendimento de casais e para atendimentos via Internet em 3 D. Fez sua dissertação de mestrado, a qual foi defendida no dia 29 de agosto de 2016, cujo título é “Comunicação e Pensamento Sistêmico: Um Estudo sobre Constelações Familiares”. Pesquisou sua técnica durante 5 anos quando resolveu levar para o meio acadêmico com o intuito de cientificá-la. Ficou mais 2 anos, duração do curso de mestrado, procurando aportes científicos para o seu trabalho. Nesse ponto houve um caso inédito, ou seja, Vera foi levando o conhecimento das constelações para os doutores da universidade, os quais foram se abrindo ao novo conhecimento e se dispuseram a experimentar a técnica. Enquanto isso, seus professores lhe ensinavam o que era preciso dentro da linha de pesquisa da área da Comunicação e Cultura, que também era novidade para ela. E, dentre esses doutores, houve uma professora que se aventurou a ser sua orientadora por ter conhecido o potencial maravilhoso do assunto em questão. Vera se refere aos professores com muito carinho e gratidão por haverem aberto as portas da universidade para as constelações familiares, inclusive com bonecos. Finalmente, tendo compreendido que a constelação é uma técnica que pode ser usada para a remissão do viés causado pelas dificuldades de comunicação dentro do sistema familiar, pôde fazer uma análise comparativa entre os processos comunicacionais e os conceitos desenvolvidos por Bert Hellinger. Sua dissertação ficou muitíssimo interessante, a ponto dos professores dizerem, no dia da defesa, que era uma pena a Universidade de Sorocaba ainda não ter doutorado na área da Comunicação, pois esse trabalho já seria suficiente para lhe dar o título de “doutora”.


Interessante salientar aqui que, durante os seus 2 anos de mestrado, Vera procurou fazer sua técnica chegar ao conhecimento de Bert Hellinger, o pai das constelações familiares, mas não teve acesso a ele. Foi bloqueado o acesso por quem nem quis ver e muito menos experimentar o que se propunha. Vera pensou que necessitava do aval dele para levar aos seus professores! Pois bem, não tendo conseguido, pensou em chegar num constelador de renome internacional, porém, a decepção foi ainda maior. A pessoa não quis experimentar e simplesmente disse: ─ Boneco não anda. Boneco é apenas boneco!


Eu estava junto quando isso aconteceu, e pude sentir o baque que reverberou em mim também! Tenho acompanhado de perto essa trajetória da Vera, e ouvido tantos feedbacks encantadores sobre os resultados das constelações com bonecos que eu também faço porque aprendi com ela. Isso realmente doeu, pois aquele que trabalha com constelações e fala sobre a influência da ressonância mórfica nos representantes, não foi capaz de pensar que a ressonância também poderia estar acontecendo, assim como a Vera intuía. Essa pessoa reagiu exatamente igual ao leigo que vem assistir uma constelação com pessoas e sai dizendo que isso é apenas um teatro! Onde está o pensamento sistêmico e fenomenológico que um constelador renomado diz possuir? Pois bem, devo dizer que os “nãos” ouvidos pela Vera foram exatamente as bênçãos que ela recebeu, pois foram eles que a impulsionaram a voar mais alto, a ir diretamente na fonte científica que ela precisava. Creio que Vera deva ser muito agradecida aos obstáculos que surgiram, da mesma maneira que devemos agradecer aos sintomas que aparecem nas constelações, os quais vieram para nos mostrar o caminho, caminho esse que nos leva até a fonte.


Vera foi à Londres submeter sua técnica à análise de Rupert Sheldrake, cientista que foi exatamente quem explicou para Hellinger como é que os representantes, durante as constelações, eram capazes de captar as sensações e emoções das pessoas as quais eles representavam. Sim, são os campos mórficos dotados de informações acerca das memórias e dos hábitos, de todas as espécies vivas, especialmente dos nossos sistemas familiares, desde os primórdios da humanidade, que são conectados pelos representantes e recebidos através da ressonância mórfica durante a constelação. Da mesma forma que isso ocorre com as pessoas como representantes, Sheldrake concluiu que é o que ocorre nas constelações com bonecos, na técnica de Vera Bassoi, através da energia do cliente e do facilitador. Com isso, essa técnica obteve o aval científico de um dos maiores expoentes atuais, no campo das Ciências. Sheldrake permitiu a gravação da sua opinião, a qual se encontra no youtube sob o título de “Consulta científica de Vera Bassoi com Rupert Sheldrake” e que foi utilizada durante a defesa da dissertação de mestrado. Atualmente Vera já está compartilhando nacional e internacionalmente “O Movimento do Espírito, através dos bonecos, nas Constelações Individuais”, no mundo das constelações.


Conclusão de Sheldrake: ─ Não são os bonecos que andam por si só, mas eles se movem pelo campo através da ressonância mórfica que está agindo no cliente e no facilitador quando colocam seus dedos nos bonecos. É o campo mórfico atuando na constelação.